ET CETERA [18/06/2008]
Depois de uma breve discussão processual nos tribunais, o que permitiu a Roberto Requião agredir os adversários e desafetos durante a reunião do secretariado na semana passada, ontem, com a nova derrota na Justiça, sua excelência teve que fechar o bico e retomar o comportamento de “bom moço” durante a escolinha. Impedido de destilar veneno, restou ao governador soltar algumas farpas contra a imprensa, fazer propaganda de si mesmo e jogar confete sobre o irmão caçula Maurício Requião. A jogada, obviamente, foi ensaiada. Como sua prioridade é fazer do mano predileto conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), ele dedicou o evento para mostrar os ditos “bons números” da Educação no Paraná. Arrancou aplausos, sorrisos e gracinhas da platéia de sempre. Requião é um parente obstinado (e apaixonado).
Desvio
Ao trazer para o debate político a avaliação dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), assunto caduco e da semana passada, ele tenta virar o foco e limpar da testa de Maurício o carimbo de “investigado” pelo Ministério Público por ter ordenado a compra dos 22 mil televisores alaranjados pelo Estado. Trata-se de mais um blefe do chefe do poder executivo.
De balde e sabão
Roberto assumiu abertamente a postura de faxineiro da imagem do irmão. Ele sabe melhor do que ninguém que a vaga no TCE deve ser ocupada, por força da Constituição Estadual, por um cidadão que possua reputação ilibada e idoneidade moral. Do jeito que está, não dá.
Falta explicar
Até hoje, Maurício não detalhou à opinião pública como ocorreu o leilão que culminou com a vitória da Cequipel, por curiosidade, a maior doadora individual da última campanha do governador. Além disso, de acordo com um levantamento feito pela oposição, a empresa, que não é fornecedora de TVs, venceu a disputa com um preço supostamente superfaturado.
Enquanto isso...
Fervem as negociações para a indicação do irmão do rei para ocupar a cadeira que será deixada por Henrique Neugeboren. O acordo já estaria firmado. Os deputados Caíto Quintana (PMDB) e Durval Amaral (DEM), inicialmente postulantes ao cargo, abririam mão da disputa agora por conta de uma aposentadoria adiantada do conselheiro Heinz Herwig. A conferir.
Vale comemorar?
Atenção para as notas conquistadas pelo Estado no Ideb e que foram festejadas com entusiasmo pela família Mello e Silva: numa escala de 0 a 10, o Paraná obteve nota 5 nas séries iniciais do ensino fundamental, 4,2 nas séries finais e 4 no ensino médio. “A imprensa diz que 5 é uma pobreza, ao invés de reconhecer o trabalho, dar estímulo aos professores e entusiasmo aos pais. Mas vem a crítica”, disse Requião. Para ele, claro, a culpa é da mídia.
Prezado leitor, desista. Não tente encontrar realidade no discurso de Roberto Requião. Não escreva o que o governador fala, sobretudo no que diz respeito à ética, à probidade e à lisura no trato da coisa pública. Por mais que sua excelência espume a boca ao defender a tese de que “este é um governo sério”, a prática mostra o inverso. Enquanto o chefe do executivo prega a transparência como modelo de gestão, suas ações caminham no sentido contrário e a ordem primeira é esconder tudo aquilo que cheira mal na administração. Nada é apurado para valer. Prova viva é o que aconteceu com as denúncias que envolvem a Paranaprevidência. A mando do rei, a base governista na Assembléia Legislativa sepultou a criação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar as suspeitas. O limbo é aqui.
Para o bem da verdade, a coluna amplia a análise acerca do que decidiu o pleno do Tribunal de Contas do Estado (TCE) a respeito da consulta formulada pelo secretário estadual da Educação, Maurício Requião, sobre a compra dos 22 mil televisores alaranjados. Por 4 votos a 3, os conselheiros afirmaram ser adequada a modalidade de pregão eletrônico para este tipo de licitação. E só. A decisão do pleno não fez nenhuma referência aos valores pagos pelos equipamentos, tampouco ao fato de a vencedora da concorrência ter sido a Cequipel, curiosamente a maior doadora da campanha à reeleição de Roberto Requião. Dessa forma, a dúvida sobre o suposto superfaturamento do negócio levantado pela oposição e uma eventual facilitação à empresa no processo licitatório está em aberto. Assim, o irmão-secretário mantém-se como esteve até então: na posição de suspeito.
Tal qual um menino mimado, cheio de vontades, riquinho e exigente, o superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina, Eduardo Requião, encasquetou que quer porque quer uma draga. “Quero a minha draga”, pede ao irmão governador. “Eu quero”, repete. “Eu preciso”, lamuria-se. “Me dá”, implora. “Vou chorar”, ameaça. Beira a obsessão. A ironia com que a coluna trata a questão é emblemática e necessária para chamar a atenção do quão desesperado está o mano do rei. Comprar uma draga transformou-se no maior desejo da vida, a ponto de ele descartar previamente saídas mais rápidas (e mais em conta) para solucionar o problema do assoreamento do canal da Galheta. A meta de Eduardo é comprar. Comprar já. Urgentemente. Algo há.
Nos últimos dias, a coluna analisou as condutas de Eduardo e Maurício, os irmãos preferidos de Roberto Requião e que, não à toa, ocupam cargos de ponta no governo. Esse espaço chegou a aconselhá-los de que ambos deveriam convocar a imprensa para uma entrevista coletiva a fim de explicar todos os “tintins” das denúncias que atingem tanto o Porto de Paranaguá quanto a Secretaria de Educação e seus televisores alaranjados. Os dois, não obstante estejam enroscados em suspeitas de irregularidades, deram (e dão) de ombros. Como são parentes do governador, eles gozam de uma espécie de “salvo-conduto”, como se os laços de sangue os isentassem de cumprir com a obrigação de prestar esclarecimentos à sociedade. No governo do nepotismo, lamentavelmente, vale a regra do “tudo pode”.