sábado, junho 21, 2008

Um governador nebuloso

ET CETERA [19/06/2008]


Prezado leitor, desista. Não tente encontrar realidade no discurso de Roberto Requião. Não escreva o que o governador fala, sobretudo no que diz respeito à ética, à probidade e à lisura no trato da coisa pública. Por mais que sua excelência espume a boca ao defender a tese de que “este é um governo sério”, a prática mostra o inverso. Enquanto o chefe do executivo prega a transparência como modelo de gestão, suas ações caminham no sentido contrário e a ordem primeira é esconder tudo aquilo que cheira mal na administração. Nada é apurado para valer. Prova viva é o que aconteceu com as denúncias que envolvem a Paranaprevidência. A mando do rei, a base governista na Assembléia Legislativa sepultou a criação de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar as suspeitas. O limbo é aqui.

Co-autoria

Os deputados ligados a Requião, que por maioria barraram a investigação, devem ser considerados co-autores na ideologia de não apurar nada. O parlamento, que por sua função institucional deveria ir a fundo atrás da verdade, lava as mãos e deixa em aberto a dúvida de que se houve (ou não) má gestão nos recursos do fundo de aposentadoria dos servidores do Estado. A famosa frase do ex-ministro Rubens Ricupero, “o que é bom a gente mostra e o que é ruim a gente esconde”, está atualíssima.

Duas caras

A situação na Paranaprevidência mostra-se tão delicada que, há duas semanas, quando as primeiras denúncias de irregularidades surgiram, o líder do governo na Assembléia prometeu levar até o Legislativo os diretores do fundo para explicar a situação. Mas orientado por Requião, Luiz Claudio Romanelli voltou atrás. A alegação é de que tudo já foi explicado. Não convence ninguém.

Medo do ex

A postura do governo evidencia o temor que há quanto ao que ainda pode relatar o ex-diretor jurídico da entidade, Francisco Alpendre. O advogado, que até dias atrás era homem de confiança do Palácio, foi quem denunciou o que seria o furo nas contas do fundo. Pela audácia, acabou demitido, enquanto o diretor de Finanças, Mário Lobo Filho, segue no cargo.

Números

De acordo com Alpendre, há um déficit de R$ 3,4 bilhões no caixa da Paranaprevidência devido a valores que o Estado deveria ter recolhido nos últimos quinze meses, mas não o fez. O jurista ainda revelou que o órgão, ao contrário da ordem de Requião, aplicou recursos em bancos privados, dos quais R$ 50 milhões foram parar no desconhecido UBS Pactual.

Análise

O volume de recursos que envolve a maior crise política da história do Rio Grande do Sul e que faz sangrar a governadora Yeda Crusius (PSDB) é da ordem de R$ 44 milhões. Uma CPI, instalada na Assembléia para apurar possíveis desvios do Detran gaúcho, já forçou a queda de uma penca de secretários e auxiliares. Transparência é deixar investigar. E ponto.

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